terça-feira, 21 de julho de 2009

Sobre a condição do homem

Gostaria de discutir um pouco sobre quão assustadora é a condição do homem. Para isso vou colocar alguns trechos de um livro chamado Pensamentos. Esse é o livro com o qual mais me identifiquei. Trata-se de uma coletânea de pensamentos do Blaise Pascal (figura ao lado), reunidos em um livro após a sua morte.

Pensamento 199 – Imagine-se certo número de homens presos e todos condenados à morte, sendo uns degolados diariamente diante dos outros e os que sobram vendo sua própria condição na de seus semelhantes e se contemplando uns aos outros com tristeza e sem esperança, à espera de sua vez. Eis a imagem da condição dos homens.

Esse pensamento nos dá uma imagem muito forte dessa condição, quer dizer, amanhã seremos nós e não temos para onde correr, não há nada que possamos fazer para escapar dessa condenação que recebemos ao nascer. Como não se desesperar frente a essa situação? Como não enlouquecer? A resposta é dada pelo seguinte pensamento:

Pensamento 168 – Não tendo conseguido curar a morte, a miséria, a ignorância, os homens lembraram-se, para ser felizes, de não pensar nisso tudo.

Acho que a palavra que melhor define a condição humana é a miséria. Refletindo um pouco sobre essa condição é impossível não chegar à seguinte pergunta: qual o sentido disso tudo, da vida? Quer dizer, se você não tem uma religião para mim não há sentido algum. Por outro lado, se você acredita em Deus você vai ficar a eternidade adorando esse Ser superior por qual motivo? Essa é uma pergunta que acredito que nunca será respondida racionalmente.

Enfim, queria apenas fazer uma reflexão com alguns pensamentos desse grande gênio que, na minha opinião, soube fazer o melhor retrato do homem e do seu lugar no universo. Ele sim tinha o espírito de fineza e de geometria.

Os pensamentos foram retirados da coleção Os Pensadores - 4ª edição (1988) da editora Nova Cultural.

Um comentário:

  1. Oi, Tiago! Legal ver pessoas interessadas no pensamento de Blaise Pascal e refletindo livremente sobre... Como vc disse certa vez... de bermuda e chinelos... ;)
    Sempre que possível, virei visitar seu blog e, quem sabe... dar uns palpites???
    No momento, apenas uma sugestão (de ordem "acadêmica"! rs): seria interessante vc indicar qual a edição dos Pensamentos vc utiliza (se Lafuma, se Sellier, se Mesnard, se Brunschvicg etc.). Explico (mas creio que vc já saiba... de qualquer modo, pode ser legal pra quem vir visitar seu blog e não achar equivalência entre os fragmentos): a numeração dos fragmentos se modifica de acordo com as tais edições. Então, se vc fala fragmento 199 da Ed. Brunschvicg (que foi a que vc utilizou - na tradução de Sergio Milliet pra Coleção Os Pensadores p/ a editora brasileira Nova Cultural - e que é também a que eu mais uso, por conta desta tradução de Melliet... tão bela... tão poética... quase um Pascal original... rs), qualquer que seja a editora, de qualquer país, ou um livro on-line (e-book) em qualquer língua - se estiver sob a numeração da edição Brunschvicg, o número corresponderá, caso contrário, o fr.199 será outro (p.ex., na edição Lafuma o fr.199 é o fr.72 da Ed. Brunschvicg – portanto, alguém que desconheça esse pequeno detalhe ficará sem entender...)! Há tabelas de correspondências entre as edições em boa parte das publicações (no caso desta, da Col. Os Pensadores, infelizmente não!). Mas já temos - traduzida para o português, por Mario Laranjeira, c/ revisão de Flanklin Leopoldo e Silva, para a editora Martim Fontes - a edição Lafuma - considerada atualmente edição de referência, assim como a Mesnard e a Sellier- –. Infelizmente, não há também nesta uma tabela de equivalências entre as várias edições (a não ser que tenham acrescentado recentemente, minha edição é de 2001); mas há uma vantagem: ao lado de cada fragmento, encontramos ao menos a equivalência p/ a edição Brunschvicg. A existência destas múltiplas edições (com numerações diversas) não se trata de mero capricho acadêmico, tem lá suas razões... Mas hoje é domingo e eu estou agora com um pouco de preguiça de me estender sobre esse assunto... Fica pra uma outra ocasião...
    É só esta dica, Tiago, que eu queria dar e que acredito possa ajudar as pessoas a encontrarem com mais facilidade os fragmentos aqui citados...
    No mais, vc que estudou estatística, matemática (e, parece-me, é cristão também) creio que terá uma visão bastante interessante do pensamento de Blaise Pascal...
    Boa leitura... Boas reflexões! :)
    Imaculada conceição

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